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14/05/2020 - 7 minutos de leitura.

Para-brisa laminado funciona como um escudo protetor da cabine

Vidro dianteiro tem propriedades especiais para proteger cabine em acidentes graves

Vidro
Vidro laminado consegue proteger ocupantes em caso de acidentes Crédito:
Carro

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O para-brisa laminado é um item muito importante nos carros, e um dos aparatos de segurança de maior sucesso da história do automóvel. Com tanta fama assim, nem parece que ele foi inventado ao acaso.

Como toda superinvenção, o para-brisa laminado é conceitualmente simples. Basicamente um “sanduíche” de vidros com um filme plástico adesivo entre eles para que, em caso de quebra, os fragmentos fiquem presos a ele. E não indo em direção aos ocupantes como lâminas voadoras.

O curioso é que a ideia que levou à sua criação partiu da união entre um incidente, um acidente e uma feliz coincidência. Reza a lenda que, em 1903, em seu laboratório, o químico francês Édouard Bénédictus deixou cair um recipiente de vidro no qual havia utilizado nitrato de celulose. O químico, então, estendeu algumas folhas de jornal no chão, preparando-se para embrulhar o recipiente quebrado.

Mas a imagem estampada no papel de pessoas com o rosto sangrando após um acidente de carro lhe chamou a atenção. Quando foi juntar os cacos, no entanto, Édouard Bénédictus notou que o frasco, apesar de quebrado, permanecia com seu formato original. Uma vez que o resíduo de nitrato de celulose ressecado nas paredes internas havia criado uma película adesiva. Foi assim que o químico teve a ideia da aplicação automotiva do que viria a ser o para-brisa laminado.

A popularização inicial do vidro laminado, porém, ocorreu com a indústria bélica. Durante a Primeira Guerra Mundial, ele foi aplicado em máscaras antigás. Elas eram utilizadas nos campos de batalha e não podiam quebrar com facilidade. Se isso acontecesse, não deveriam projetar estilhaços contra os olhos dos soldados.

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Mas foi em 1930, com a invenção do plástico polivinil butiral (PVB), um polímero que não não amarelava e tinha elevados níveis de resistência mecânica e adesividade, que o para-brisa laminado ganhou força. Em 1.940, praticamente todos os carros dos principais mercados (entenda-os como dos Estados Unidos e Europa) saíam de fábrica com o equipamento.

Desde então, o conceito do vidro laminado mudou pouco. O que não quer dizer que ele tenha parado no tempo — muito pelo contrário. Os materiais aplicados nos para-brisas atuais evoluíram demais. Perderam peso, ganharam mais resistência e transparência, incorporaram outras tecnologias.

A película plástica, agora, além do tradicional polivinil butiral, também pode ser de poliuretano termoplástico (TPU). Ou acetato de etileno-vinil (EVA).O processo é muito parecido com o de produção de vidros com resistência balística. O que são aplicados nos carros blindados. O “sanduíche” é colocado numa espécie de saco hermético, o ar é retirado e a fusão entre as partes é completada em fornos especiais. Isso é para que não fique nenhuma bolha de ar entre as camadas.

Vidros utilizados nas indústrias naval, aeronáutica e aeroespacial também são do tipo laminado. E, de maneira cada vez mais recorrente, na arquitetura, sobretudo em projetos comerciais. Lembra que uma das características é evitar que estilhaços desprendidos causem ferimentos nas pessoas?

Fiat Idea foi um dos pioneiros aqui

Pouca gente se lembra, mas a Fiat Idea foi lançada, no final de 2005, com vidros laminados nas janelas das portas dianteiras. Segundo a marca, a intenção era ampliar o conforto acústico e térmico dentro da cabine. Uma vez que a parte plástica tinha eficiência na absorção de ruídos e era capaz de agir como filtro de raios UV-A e UV-B, os ultravioletas mais nocivos à saúde.

À época, também se falava de segurança pessoal e patrimonial. A janela laminada oferecia maior proteção no caso de impactos laterais. O vidro quebrado numa colisão em cruzamento, por exemplo, não seria projetado em direção aos ocupantes. E a maior resistência mecânica protegeria o carro nos casos de tentativa de arrombamento. Como o consumidor não se mostrou disposto a pagar pelas janelas especiais, o item deixou de ser ofertado.

Mesmo com a extrema importância na proteção às pessoas, o para-brisa laminado só passou a ser obrigatório no Brasil em 1991. Na Inglaterra, por exemplo, a obrigatoriedade se deu bem antes, em 1930.

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